Oi, Brasil!

Segunda passada, Paris, desfile da Chanel. Entra a primeira modelo, a holandesa Dyanira Hurbuscher, de vestidinho branco transparente. E na mão dela, olha:

Look 1 do verão 2027. A bolsa pequenininha na mão dela é a estrela.

Essa bolsa preta foi da Gabrielle Chanel. Da própria, gente. O Matthieu Blazy tirou ela do acervo da casa, colocou pra abrir o desfile e trouxe de volta no último look, na mão da mesma modelo.

No vídeo eu falei do desfile inteiro, né? Os pássaros, o tweed, as plumas. Aqui eu quero ficar só nela. Porque essa bolsa tem uma história que muda o jeito de você olhar pra sua, tá?

NA EDIÇÃO DE HOJE:

  • Por que ela se chama 2.55 e o que ela mudou na vida das mulheres

  • O segredo que a Gabrielle costurou por dentro

  • A mentirinha que eu contei no vídeo

  • O filme que você precisa ver essa semana

  • E como escolher a sua bolsa-relíquia, aquela que dura décadas

FEVEREIRO DE 1955

O nome dela é uma data. 2.55 quer dizer fevereiro de 1955, o mês em que ela foi lançada. A Gabrielle tinha 71 anos.

E qual era a grande novidade? A corrente. A bolsa ia no ombro.

Parece bobo hoje, né? Mas pensa comigo. A mulher daquela época andava com a bolsa na mão ou pendurada no braço. A Gabrielle cansou disso. Ela queria as mãos livres pra fazer as coisas dela, e foi buscar a ideia nas bolsas de soldado.

Mão livre, Brasil. Uma bolsa que deixa a mulher se mexer. Tem coisa mais Chanel que isso?

O SEGREDO POR DENTRO

Agora a parte que me arrepia. A Gabrielle cresceu num orfanato, num convento em Aubazine, no interior da França.

E ela levou esse lugar pra dentro da bolsa. O forro é bordô, a cor do uniforme das meninas de lá. E a história que se conta é que a corrente lembra os molhos de chave que as freiras carregavam na cintura.

Ou seja, por fora a bolsa mais elegante do mundo. Por dentro, a menina órfã que ela foi. Ela nunca escondeu de onde veio, gente. Costurou isso na peça mais famosa dela.

A MENTIRINHA DO VÍDEO

No vídeo eu brinquei que essa bolsa passou por décadas e tava ali sem uma linha de expressão sequer. Lembra?

Então. Chega pertinho:

No último look, a mesma bolsa. Repara no couro.

Tem ruga, sim. O couro tá todo marcadinho, craquelado, com o desenho do matelassê meio achatado de tanto uso. Ela foi usada de verdade, entendeu?

E o Matthieu não mandou restaurar. Ele levou assim, com todas as marcas, pra abrir o desfile mais esperado da semana.

Isso é linguagem visual pura, gente. Uma bolsa novinha comunica dinheiro. Uma bolsa marcada desse jeito comunica história. Comunica que alguém viveu com ela. E a gente passa a vida querendo apagar as marcas, as nossas e as das nossas coisas, né? A Chanel fez o contrário e colocou a marca no holofote.

ANTES DE SER CHANEL

E se você quer entender quem foi a dona dessa bolsa, eu tenho a dica da semana.

Coco Antes de Chanel (2009), com a Audrey Tautou.

Coco Antes de Chanel, da diretora Anne Fontaine. Eu já tinha visto e vi de novo essa semana, depois do desfile.

O filme mostra a Gabrielle antes da marca. A menina do orfanato, a costureira, a moça que cantava em café-concerto. Foi cantando que ela ganhou o apelido Coco, sabia?

E tem uma coisa ali que eu amo. Ela pega roupa de homem, camisa, gravata, chapéu de palha reto, e corta pra ela. Enquanto as outras mulheres tão de espartilho e chapéu cheio de pluma. Isso bem antes de existir a marca, gente. Ela só tava se vestindo de quem ela era.

Eu saí do filme com mais coragem. Sério. Assiste e depois me conta.

O DESFILE CONTOU ESSA VIDA

E aí você volta pro desfile e entende tudo. O Matthieu chamou a coleção de algo como "faces diferentes da mesma moeda". As várias mulheres que a Gabrielle foi, dentro de uma só.

O teto do Grand Palais

Os pássaros. O teto inteiro tomado de pássaros iluminados. É a liberdade dela, a mesma da corrente no ombro.

A bolsa-gaiola

A gaiola. Uma bolsa em forma de gaiola, com os passarinhos escapando por ela. Precisa explicar? Kkkk

Look 13

As camadas. Olha o casaco na mão dela. Teve modelo tirando camada pelo caminho, carregando o que já não vestia mais. Fase que passou, mas que ela leva junto.

A SUA BOLSA-RELÍQUIA

Agora vem pra você. Por que a 2.55 atravessou 70 anos sem sair de moda?

E por quê, Débora? Porque ela é pura linguagem visual equilibrada. O formato é retangular, de linha reta, e linha reta comunica firmeza. O matelassê dá estrutura. A corrente traz movimento. E ela é pequena, então nunca engole a mulher que tá usando.

E pra ter isso nem precisa ser Chanel, tá? Basta uma bolsa escolhida com intenção. Anota aí:

1. Proporção com o seu corpo. Bolsa minúscula em corpo grande some. Bolsa enorme em corpo miúdo engole. Prova na frente do espelho, de corpo inteiro.

2. Linha que conversa com você. Bolsa reta e estruturada comunica firmeza e autoridade. Bolsa de linha curva, mais molinha, comunica leveza e acolhimento. Escolhe pelo que você quer comunicar no dia a dia.

3. Material que envelhece bonito. Couro bom ganha marca e fica mais charmoso, igual a bolsa da Gabrielle. Material que descasca vai pro lixo rapidinho.

4. Cor que conversa com o seu armário. Se ela só combina com uma roupa, ela dura uma festa.

AGORA O RECADO CHATO

A Gabrielle sabia exatamente o que cada peça dela comunicava. A corrente, o forro, o chapéu reto. Nada era aleatório. Isso é visagismo, que é a base de todos os meus serviços.

E foi pra isso que eu fiz o Guia de Looks. Pra você parar de comprar no impulso e começar a escolher peça que conta a sua história, com intenção.

O GUIA DE LOOKS VISATGÉ

São 1h30 de videoaula mais uma apostila de 200 páginas. Eu monto o guarda-roupa dos quatro temperamentos ali dentro: colérica, sanguínea, melancólica e fleumática.

O que tem dentro:

  • As peças, as cores, as texturas e as modelagens que conversam com a sua essência

  • Direção pro dia a dia e pro trabalho, que é onde a gente mais trava

  • Sugestão de peça com marca, pra você achar fácil o que vestir

  • Bônus com 8 dicas rápidas pra comunicar credibilidade na hora

  • E a alfabetização da linguagem visual, pra você saber o que está comunicando

R$97

Ou 12x de R$10,03. É pagamento único, você fica com ele pra sempre.

ME CONTA:

Você tem uma peça-relíquia? Aquela bolsa da sua mãe, o casaco da sua avó, a primeira coisa cara que você comprou com o seu dinheiro? Responde esse e-mail e me conta a história dela, que eu leio uma por uma.

Beijos, e até terça 👀

Débora

P.S.: antes de jogar fora aquela bolsa gastinha que tá no fundo do armário, olha de novo pra ela. Se o material é bom, pode ser que ela esteja virando relíquia.